Educação Financeira

Orçamento familiar: o primeiro passo para a independência financeira

Kaio Serrate
Escrito por Kaio Serrate em 30 de março de 2022
Orçamento familiar: o primeiro passo para a independência financeira
Quero aprender mais

Assine nossa lista e receba conteúdos exclusivos

O endividamento das famílias brasileiras chegou a 70,9% em 2021, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio. O percentual foi o mais alto desde 2010, quando a pesquisa começou a ser realizada.

A piora do cenário macroeconômico e os efeitos da inflação foram sentidos por todas as classes, embora as famílias com renda de até 10 salários mínimos tenham sido proporcionalmente mais impactadas.

Cartão de crédito, crediário e financiamento de carro são as três principais modalidades de dívida do brasileiro.

Diante do atual cenário adverso, a necessidade de que cada indivíduo conheça sua situação financeira e a situação financeira da própria família é ainda maior. Apesar disso, são poucas as pessoas que sabem exatamente quanto ganham e quanto gastam por mês.

Se uma empresa não controla seus indicadores financeiros, ela perde investidores, credibilidade e tem chances maiores de falir, correto? O mesmo raciocínio é válido para cada cidadão. Não conhecer a própria situação financeira leva um indivíduo a tomar más decisões nos gastos, na contratação de crédito e nos investimentos.

Um orçamento familiar bem administrado é o primeiro passo para uma vida financeira mais saudável.

Como elaborar um orçamento familiar?

De maneira simplificada, um orçamento pessoal contempla três etapas fundamentais:

1 – Análise das receitas

Qual é o seu rendimento mensal? De onde vêm as receitas regulares? Uma pessoa pode obter renda por meio de salário, pró-labore, aluguéis, remuneração de investimentos e outras formas. Aqui, é importante considerar as receitas frequentes e não os ganhos eventuais. Outra dica é utilizar os valores líquidos, descontados os impostos, tributos e encargos financeiros.

2 – Análise dos gastos

Comece pelas despesas mais relevantes (aluguel, condomínio, plano de saúde, transporte, escola das crianças, financiamentos, etc), mas inclua também os gastos do dia-a-dia, pois eles são os que fogem do controle mais facilmente. Quando se começa a fazer esse tipo de acompanhamento, é muito importante ter uma noção completa do seu perfil de gastos.

3 – Diagnóstico

Você termina o mês no azul ou no vermelho? Se sobra algum dinheiro no fim do mês, tente elevar o percentual de poupança da família. Se as contas estão equilibradas, mas você ainda não começou a poupar, veja se é possível cortar alguns gastos (muitas vezes é) e inicie uma reserva de emergência. Spoiler: falarei sobre a importância da reserva de emergência em conteúdos futuros. Poupar 10% das receitas mensais é um excelente começo e pode gerar bons resultados com o tempo. Se você estiver no vermelho, verifique quais contas estão pesando mais no orçamento e atue no sentido de renegociar dívidas e taxas de juros de forma ativa, além de racionalizar os gastos (repito: quase sempre dá). É hora de apertar o cinto. Outra possiblidade é olhar ao redor em busca de oportunidades de gerar renda extra. As pessoas com as quais você interage estão cheias de necessidades não atendidas. Uma dessas necessidades pode virar uma nova fonte de rendimentos.

Outras dicas que valem dinheiro

O envolvimento de toda família nos objetivos financeiros pode potencializar os resultados.

É preciso ter cuidado com os gastos do dia-a-dia. Muitas vezes fazemos sacrifícios emocionais para cortar pequenos custos e esse esforço gera bastante estresse e pouco resultado. Ao mesmo tempo, como recompensa pelos esforços ou como forma de compensar o estresse, realizamos um gasto eventual no estilo “eu mereço”, que causará um impacto negativo muito maior. Cuidado com as compras de maior valor feitas por impulso. Avalie também se os itens que está disposto a cortar são economias reais e impactarão positivamente o orçamento.

Todo mundo vai passar por momentos difíceis em diferentes fases da vida. Momentos difíceis devem ser encarados com dignidade. Seja transparente com os envolvidos (credores, familiares, etc) e trabalhe duro para deixá-los para trás. Passe pela crise com a cabeça erguida. Crises ensinam.

Pense no longo prazo. Um período de maiores sacrifícios pode resultar em um futuro mais confortável com conquistas planejadas. É bem melhor quando o dinheiro representa tranquilidade para nossa própria vida e para a vida daqueles que amamos.