Inovação

Jeff Bezzos, o inovador pragmático

Kaio Serrate
Escrito por Kaio Serrate em 25 de outubro de 2023
Jeff Bezzos, o inovador pragmático
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A Amazon segue sendo, ano após ano, uma das empresas mais inovadoras do mundo. Isso ocorre, na maior parte do tempo, sem o mesmo hype tradicionalmente provocado por outras gigantes da tecnologia como Tesla e Apple, por exemplo.

Parte desse fenômeno se deve à personalidade de seu fundador, Jeff Bezos.

Quem me conhece sabe que considero Bezos um dos empresários mais visionários de nossa época e que, frequentemente, utilizo suas ideias como referência em textos, palestras e aulas.

A visão de longo prazo é uma de suas características que mais chama minha atenção. É um traço de personalidade que se reflete em todas as estratégias da empresa. Seja mantendo o foco absoluto na experiência do cliente ao longo dos anos ou se reinventando para atuar em mercados em que não atuava, a Amazon  não traiu seus valores centrais. Os resultados financeiros nem sempre agradaram um mercado sempre ávido pelos lucros trimestrais. Ainda assim, uma mesma filosofia gerencial foi mantida.

O surpreendente é que esse pragmatismo é um traço da personalidade de Bezos. Um bom exemplo está no processo analítico que levou à criação da Amazon.

Há uma famosa entrevista com o empresário no  evento Amazon Web Services de 2012 (há mais de dez anos, portanto), em que ele conta um pouco do seu processo até a criação do modelo de negócios da Amazon. Peter Diamandis e muitos outros autores, incluindo este que vos escreve, citam essa conversa em seus livros.

insight inicial que resultaria na maior varejista do mundo ocorreu na primavera de 1994, quando Bezos descobriu que a internet vinha crescendo 2.300% ao ano. Para ele, as coisas não cresciam tão rápido assim e a pergunta posterior deveria ser: qual modelo de negócios poderia fazer sentido nesse contexto de crescimento?

Os desdobramentos desse insight são um pouco mais explorados na mesma entrevista. Em uma de suas respostas, Jeff Bezos diz que as pessoas costumam refletir sobre “o que mudará nos próximos dez anos“, porém quase nunca perguntam “o que não mudará nos próximos dez anos”?

Para o empresário, a segunda questão é a mais importante das duas, pois permite a criação de estratégias de negócios em torno de coisas mais estáveis ao longo do tempo.

Bezos dá exemplos: no negócio de varejo é possível saber que os clientes continuarão querendo preços baixos ao longo do tempo; é possível saber que continuarão querendo entregas rápidas daqui a dez anos; e também é possível saber que, no futuro, os clientes vão continuar preferindo uma vasta seleção de opções de compra. É improvável que um cliente apareça daqui a dez anos, dizendo:

– Jeff, adoro a Amazon, só queria que os preços fossem mais altos.

Ou ainda:

– Adoro a Amazon, só queria que as entregas fossem um pouco mais lentas.

Foi assim, concentrando a energia nos aspectos fundamentais, que continuarão fazendo sentido daqui a dez anos, e aprimorando-os continuamente, que a Amazon começou e segue atuando até hoje.

Entendeu? Em uma época na qual as pessoas ainda tateavam no escuro em busca de modelos de negócios viáveis na web, Jeff Bezos não só percebeu as potencialidades da rede, como foi extremamente pragmático na hora de criar sua empresa.

Deu no que deu. Já disse isso anteriormente, mas vale repetir: é sempre bom prestar atenção em Jeff Bezos.

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