Educação Financeira

Investimentos Inteligentes 005 - Reserva de Emergência

Kaio Serrate
Escrito por Kaio Serrate em 25 de julho de 2022
Investimentos Inteligentes 005 - Reserva de Emergência
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Reserva de emergência: sem ela você nem deveria começar a pensar em investir.

Augusto é gerente de vendas. Sua esposa Roberta é professora em uma universidade. O casal ainda não tem filhos. A renda de ambos permite manter as contas em dia, comer fora uma ou duas vezes por semana, viajar nas férias e satisfazer alguns desejos de consumo de cada um.

Uma boa vida, certo? Em linhas gerais, sim.

Porém, a tranquilidade financeira de uma família não está apenas em pagar as contas em dia e não ter dívidas atrasadas, cujos juros consumiriam toda a renda.

O equilíbrio orçamentário do casal do nosso exemplo é muito frágil, pois pode ser desfeito se ocorrer qualquer imprevisto. E se há uma certeza na vida é que imprevistos cedo ou tarde acontecerão. Nesses momentos, é fundamental contar com uma reserva de emergência.

O que é a reserva de emergência?

A reserva de emergência é o início de uma trajetória de investimentos. É o dinheiro aplicado que você precisa ter para reorganizar a vida em caso de desemprego, de uma doença, de um empreendimento que não deu certo ou de qualquer outra situação inesperada.

Além das questões práticas, a reserva de emergência tem um caráter psicológico que não pode ser desconsiderado. Ela traz estabilidade emocional para a família e permite fazer escolhas racionais em momentos difíceis da vida.

Como calcular a reserva de emergência?

A maioria dos planejadores financeiros recomenda que a reserva de emergência deve corresponder a, no mínimo, seis vezes os gastos mensais da família. Ou seja, se o consumo mensal de uma família é de R$ 6.000,00, a reserva de emergência a ser constituída deve ser de R$ 36.000,00. O Augusto do nosso exemplo é um profissional autônomo, cuja renda varia mês a mês, por conta das comissões que recebe. Empreendedores e profissionais autônomos devem considerar a possiblidade de constituir uma reserva maior, que garanta nove meses ou até um ano de autonomia nos gastos familiares.

Muito importante: esse valor deve ficar em uma aplicação de renda fixa. Imagine, por exemplo, precisar vender ações no mercado em baixa porque precisa do dinheiro com urgência. A aplicação também deve oferecer alguma proteção contra inflação e liquidez imediata, que é a facilidade de converter um ativo em dinheiro rapidamente. Costumo preferir a reserva de emergência aplicada em Caderneta de Poupança de um banco grande. Lembre-se, o objetivo aqui não é performance ou lucratividade é, sobretudo, liquidez imediata. Pense assim: se eu precisar desse dinheiro, sábado de madrugada, em uma cidadezinha longínqua, qual é a minha chance conseguir de sacar? A liquidez que importa não é a do dia-a-dia em cenários de normalidade, mas sim a que você terá em um momento de tensão.

Outras dicas que valem dinheiro

Um orçamento familiar bem administrado, como já tratamos no Episódio 003 (se você ainda não ouviu, ouça na sequência), permite enxergar onde é possível economizar e direciona os esforços de poupança.

A criação da reserva de emergência deve ser priorizada em relação a outras escolhas de consumo. Cogite, por exemplo, ter um carro mais barato ou andar de transporte público por uns tempos, vender bens que utiliza pouco, deixar de viajar por um ou dois anos, preparar a própria comida mais saudável em casa. Com criatividade, dá para tornar esses momentos mais leves.

O que você ganha com esse esforço temporário? Sossego, paz de espírito e liberdade para tomar decisões racionais diante das situações inesperadas que a vida nos apresenta.